Blog do Rodrigo Carvalho

Tecnologia, música e liberdade

Em busca de um Github para músicas

Este ano estou voltando a me dedicar à música, depois de alguns anos inativo. Montei uma banda e, como já falei aqui, estou fazendo diversos cursos online no Coursera (dois deles já terminei e já publiquei reviews aqui e aqui).

Nestes cursos, estou tendo a oportunidade de compor algumas músicas (ou partes de músicas) e, há alguns dias, me lembrei de algumas gravações que fiz há bastante tempo. Meu lado software livre me perguntou “por que não disponibilizo estas gravações no Github?”. Achei que realmente seria uma boa ideia e comecei a pesquisar um site que fosse um “Github para músicas”.

Para os leitores músicos que não sabem o que é o Github, ele é uma espécie de rede social dos desenvolvedores de software. Eles criam repositórios com o código-fonte de seus softwares para que outros possam contribuir, bem no estilo software livre. Existem diversos serviços assim, mas o que fez o Github se destacar é a facilidade com que alguém pode contribuir com um projeto. Basta fazer um fork (um clone) do software e modificá-lo da forma que precisar. Depois é possível enviar as modificações de volta ao autor original, que pode aceitá-las ou não.

O serviço mais famoso de compartilhamento de músicas é o Soundcloud. No entanto ele serve apenas para compartilhar músicas, não possuindo nenhum suporte a colaboração, como envio de múltiplas faixas (uma para cada instrumento), muito menos fazer um fork.

O Indaba Music Sessions é uma parte do site Indaba Music focado em colaboração. O funcionamento dele é assim: alguém começa uma sessão com algum som que servirá de base para a música. Então outros usuários podem enviar outras faixas, com outros instrumentos, e vão colaborando até que se chegar à música concluída. No entanto, o conceito é diferente do Github, pois não há fork de sessão – você envia as faixas para a sessão original. Além disso, aparentemente não dá para ouvir todas as faixas enviadas ao mesmo tempo (mixadas). Para ouvir o trabalho completo, teria que baixar cada arquivo enviado e adicioná-los ao seu DAW.

Kompoz

O Kompoz funciona de forma bastante semelhante ao Indaba Music Sessions, com as mesmas desvantagens. A diferença é o foco nas licenças Creative Commons, que pode ser positivo para os defensores da cultura livre, ou negativo para quem prefere trabalhar com licenças copyright.

O merge.fm também utiliza o mesmo modelo de colaboração centralizado do Indaba e do Kompoz, no entanto ele parece se forcar mais na remuneração do músico. Os pontos positivos dele é que é possível ouvir todas as faixas mixadas direto do site e oferece mais opções sociais, como discussão e criação de eventos online.

Finalmente, encontrei o que estava procurando. O Soundkeep se descreve como “Github para som” e ainda “Soundkeep is a social remixing community aimed at bringing the concepts of Free Open Source Software to music“. O serviço ainda está em fase de testes, mas você já pode utilizá-lo através da versão alpha do site. Ele tem tudo o que estava procurando: é possível fazer fork de uma música, enviar várias faixas e ouví-las mixadas diretamente do site, além de controle de versão para poder ouvir a música com as faixas originais ou com as contribuídas.

Agora vou começar a selecionar o material que posso compartilhar e testar o Soundkeep para ver se ele realmente atende às expectativas. Infelizmente não poderei enviar todo o material de uma vez, pois utilizei os sons do Soundation em algumas músicas e eles têm restrições de uso. Deixo aqui o link para meu perfil no site e um convite: me siga e remixe minhas composições!

Curso “Songwriting” – como foi

Mais um curso de música do Coursera finalizado, desta vez tratando de composição de músicas: o Songwriting. Assim como fiz no “Introduction to Digital Sound Design“, irei contar como foi o curso.

Antes de mais nada devo dizer que este foi o melhor curso que já fiz no Coursera! Trazido pela Berklee College of Music, considerada por muitos como a melhor faculdade de música do mundo, o curso é ministrado por Pat Pattison, que tem uma excelente didática e muito bom humor. Ao longo de apenas 6 semanas, foi passado um extenso conteúdo voltado a escrita de letras e criação de melodia, essencial para aqueles que estão começando ou querem se aprofundar na arte da composição musical. Harmonia ficou de fora porque é um assunto extenso demais.

Na primeira semana, o foco foram nos elementos gerais da música. Técnicas para escolha do ponto de vista (primeira pessoa, segunda pessoa ou terceira pessoa), a “teoria das caixas” para ajudar no desenvolvimento da estória, as 6 perguntas que você deve responder quando escreve e as diferentes estruturas de músicas.

Na segunda semana, começamos a aprender 2 conceitos que acompanharam o curso quase todo: “prosody” e “estável vs. instável”. “Prosody” (não sei se tem tradução) significa que todos os elementos da música devem combinar entre si. “Estável vs. instável” é a escolha do que se quer transmitir na música, um sentimento de estabilidade ou instabilidade. Para começar, foram apresentados os efeitos do tamanho e do número de linhas neste sentimento de estabilidade.

O foco da terceira semana foi nas rimas. Foram apresentados os vários tipos de rimas e qual tipo é mais apropriado quando estamos buscando estabilidade ou instabilidade.

Na quarta semana, a música já começa a tomar forma de poesia com explicação sobre rítmo das palavras. Foi explicado como as sílabas tônicas de palavras com várias sílabas e como acentuamos as palavras monossílabas. A mensagem principal desta semana é que devemos manter a forma natural da linguagem quando cantamos.

Chegamos à quinta semana – a mais difícil de todas. O conteúdo foi muito maior do que os demais e o exercício muito mais difícil: escrever uma música inteira! Neste momento, todo o conteúdo dado foi reunido para a escrita de uma música (“Hobo Wind”), foi ensinada uma técnica para encontrar rimas e ideias para letras (“worksheet“), além de ter sido explicado todo o conteúdo de melodia do curso, como a escolha de tons estáveis e instáveis.

Por fim, a última semana foi dedicada à “linguagem corporal da música”: o fraseamento. Nesta aula, foi explicado como a posição no compasso em que se começa a cantar faz diferença no sentimento de estabilidade da música. Como exemplo, ele mostrou em duas músicas já prontas (“Pieces” e “Hobo Wind”) como elas ficam muito melhores aplicando as técnicas do fraseamento. Como exercício, tivemos que pegar a música da 5ª semana e aplicar o fraseamento.

Livro

Para acompanhar o curso, comprei o livro recomendado “Writing Better Lyrics“, do próprio Pat Pattison. Achei que valeu bastante a pena, pois o livro tem um conteúdo adicional muito bom e não é tão caro.

Conclusão

O curso sozinho não vai transformá-lo no melhor compositor do mundo, como poderão ver na minha composição abaixo. No entanto, irá te ensinar mecanismos para conseguir compor de maneira mais produtiva e tirando o máximo que sua música pode conseguir. De qualquer forma, outra mensagem importante do curso é que composição é prática. Então é importante treinar bastante!

Para fechar, segue abaixo a minha singela composição do exercício final. Eu sei que tem muita coisa para melhorar, mas acho que foi um bom início!

Novo tema visual!

Depois de muito tempo (provavelmente anos) insatisfeito com o visual “retrô” do blog e testando diversos temas para tentar deixá-lo mais moderno, finalmente consegui um tema que consegue reunir todas as qualidades que procurava. Um tema minimalista, sóbrio, que oferece boa legibilidade e que aproveita bem o espaço em tela.

Tudo começou quando li este post de um blog que acompanho falando sobre seu novo layout com o tema “Carrot”. Quando bati o olho, tive certeza que era este o tipo de tema que queria para meu site!

Comecei então a buscar um tema de WordPress (ferramenta que uso e não pretendo migrar tão cedo) que se fosse semelhante ao Carrot para que eu pudesse personalizá-lo para deixar com o mesmo visual. O que mais gostei foi o Publish e então comecei a modificá-lo até chegar no resultado atual.

O tema ainda não está 100% como gostaria e o bug mais grave é no layout responsivo (diminua sua janela para ver o que acontece). No entanto, já está muito melhor do que antes.

Na junção dos nomes “Carrot” com “Publish”, nomeei este tema como “Parrot”. Me pareceu um nome apropriado, pois “Parrot” é papagaio em inglês e eu não fiz nada mais do que copiar os outros :) De qualquer forma, o código-fonte do tema está disponível no GitHub para que possa utilizá-lo e, quem sabe, melhorá-lo!

Introduction to Digital Sound Design – Como foi

No meu último post falei sobre cursos voltados para música que serão disponibilizados gratuitamente no site Coursera durante o ano de 2013. Semana passada acabou o primeiro dos que me inscrevi, o Introduction to Digital Sound Design, e irei falar um pouco sobre como foi.

Minha impressão geral do curso foi muito boa: o conteúdo apresentado foi bastante relevante e o professor, Steve Everett, tem uma ótima didática. Apesar de ser uma matéria com muito conteúdo teórico, praticamente todos os conceitos foram demonstrados na prática.

A primeira semana foi ensinado o básico de som. O que é, como nosso ouvidos o captam e suas propriedades. Uma propriedade fundamental para o som, mas que nunca soube como explicar é o timbre e foi explicado e detalhado utilizando o software livre Sonic Visualiser.

A segunda semana falou um pouco sobre a tecnologia musical, apresentando o funcionamento de alguns tipos de microfone (dinâmico e condensador) e qual deles é apropriado para qual tipo de gravação. Além disso, foi ensinado o funcionamento básico dos mixers, bem como as diferentes partes que os compõem e como melhor ajustá-los para uma gravação. Também foi explicado o funcionamento da interface MIDI, utilizado por instrumentos digitais e como ele é transmitido e convertido em som digital. Por fim, foram apresentados os diversos tipos de efeitos que podem ser aplicados a áudio digital e também demonstrados na prática com o software livre Audacity. Esta, junto com a terceira, foi a semana mais interessante do curso.

A semana 3 foi bastante pesada, apresentando os conceitos de síntese de som, ou seja, como se gerar som digital para imitar ou não um instrumento musical de verdade. Osciladores, formas de onda, filtros e todos eles funcionando ao mesmo tempo e demonstrando seu impacto na forma de onda original! Esta parte é muito interessante, principalmente para quem gosta de fazer música eletrônica e/ou experimental. Foram citados os programas que fazem síntese de som, onde destaco os softwares livres Pure Data (PD) e Supercollider.

A última semana falou sobre estratégias criativas e as que acho que merecem destaque são sonificação e “orquestras móveis”. Sonificação é o processo de pegar um conjunto de dados qualquer, definir regras de como cada dado irá se transformar em qual componente de síntese. Por exemplo, foi apresentado um trabalho feito pelo professor onde ele usou dados do genoma humano e transformou em áudio. Orquestras móveis (mais conhecidas como laptop orchestras) foram apresentadas como formas de criar música digital colaborativamente, inclusive citando programas que suportam esta função, como os já citados Pure Data (PD) e Supercollider.

Como bônus, foi ensinada um pouco da histórica dos diferentes temperamentos musicais já criados até chegarmos no “Tempetamento Igual”, adotado atualmente para a música ocidental. Além disso, diversos tutoriais de softwares foram disponibilizados incluindo os softwares livre que citei no post, além do Hidrogen.

Como exercício final, utilizamos o site Soundation para criarmos uma peça de som com duração de 1 minuto e os demais estudantes votam nas que gostaram.  A minha criação pode ser ouvida abaixo:

Como puderam ver, o curso é bem rico em conteúdo e bastante prático. Se você se interessa pelo tema e perdeu esta turma, acompanhe o site do Coursera para saber quando irá abrir uma nova turma.

Cursos online de música gratuitos

O Coursera é um site que oferece diversos cursos online de forma totalmente gratuita. Existem cursos de praticamente todas as áreas, como por exemplo biologia, economia, computação e direito. O melhor de tudo é que são cursos ministrados por algumas das melhores universidades do mundo! Ano passado fiz alguns cursos voltados para a área de computação e foram bem interessantes.

Mas foi no final do ano passado que fizeram um anúncio que realmente me deixou muito feliz: o Coursera fechou uma parceria com a Berklee College of Music! Para quem não conhece, ela é considerada uma melhores universidades de música do mundo e onde nasceu a banda Dream Theater. De lá para cá, vários outros cursos de música foram adicionados ao catálogo:

Cursos de música no Coursera

Clique para ver no site

 

Para quem, além de músico (ou aspirante a músico), é desenvolvedor de software, no curso “Survey of Music Technology” os alunos terão oportunidade de escrever programas de computador para fazer música.

Já fiz minha matrícula em quase todos os curso da lista. O “Introduction to Digital Sound Design” começou esta semana e ainda dá tempo de se matricular e acompanhar!

Transferência de arquivos do Linux para o Android sem complicações

Desde que comprei meu celular novo, com Android 4, passei a ter muitos problemas para transferir arquivos para ele através do Linux. O problema é que, a partir da versão 3 do Android, a transferência de arquivos via cabo USB é feita utilizando o protocolo MTP, que traz a vantagem de não bloquear o cartão SD. Ou seja, você não precisa parar de ouvir música no celular para transferir mais músicas! No entanto, a implementação atual do MTP do Linux não tem uma compatibilidade muito boa com a implementação do Android – às vezes funciona e às vezes não.

Cansado desta situação, resolvi encontrar uma solução e acabei encontrando algo muito melhor: o AirDroid. Ele é um aplicativo móvel que carrega uma aplicação web no próprio aparelho e que você pode acessar de um navegador do seu computador! Além de transferir arquivos dá para fazer muito mais com ele, como pode ver na tela abaixo.

Tela do AirDroid

Resumindo: procurava uma solução para resolver meu problema de transferência de arquivos via cabo USB para o Android e acabei com uma solução muito mais completa. E, o melhor: sem precisar mais de cabos! Realmente o AirDroid virou o mais novo aplicativo Android essencial para mim :)

Atualização: O Ubuntu, a partir da versão 13.04, já vem com suporte ao protocolo MTP compatível com o Android nativamente.

Produtividade no desenvolvimento Android: testando o AQuery e o RoboGuice

Como último estágio antes da retomada do desenvolvimento da nova versão do aplicativo da Revista Espírito Livre, resolvi testar dois frameworks que prometem mais produtividade e código mais limpo para suas aplicações Android. O objetivo dos testes é escolher um deles para utilizar na próxima versão do aplicativo.

O primeiro será o AQuery, componente que provê uma API ao estilo do framework Javascript JQuery, tornando o código mais compacto e expressivo.

O segundo será o RoboGuice, uma extensão do framework Java de IOC Google Guice com funcionalidades específicas para o mundo Android.

Para os testes, utilizarei a primeira versão do aplicativo da REL. Segue um trecho de código do aplicativo original para servir como comparativo:

AQuery

Antes de tecer qualquer comentário, segue abaixo como ficou o código original portado para o AQuery:

Pontos positivos

  • Conforme prometido, o código ficou realmente mais compacto e expressivo. É possível fazer muitas configurações num mesmo objeto com apenas 1 linha de código sem perder a legibilidade.
  • O uso de interface fluente é muito positivo e grande responsável pelo código enxuto e limpo.
  • Pelo que vi na documentação, o tratamento de XML e Json parece bastante poderoso, apesar de não ter utilizado.

Pontos negativos

  • O componente ainda é um pouco limitado no que se refere a abrangência das funcionalidades do Android e, basicamente, se limita a configurar componentes visuais.
  • O uso do AQuery em apenas algumas partes do código, o torna despadronizado e estranho, pois uma parte fica com cara de Java e outra não. O ponto acima torna este problema mais evidente, pois o uso da API é pequeno em relação ao restante do código.
  • Comparado ao RoboGuice, ele não é tão maduro, pois é uma biblioteca mais jovem e ainda nem atingiu sua versão 1.0. Apesar do fato de não ter chegado na versão 1.0 não significar que o componente tem muitos bugs, é comum ocorrerem quebras de API antes do lançamento desta versão.

RoboGuice

Vamos partir agora para o teste do RoboGuice. Veja como o código original ficou com a utilização do framework:

Pontos positivos

  • O código de interface gráfica fica um pouco mais limpo, mas não muito.
  • Ele é um framework de injeção de dependências completo para sua aplicação móvel! Não cabe a este artigo falar das vantagens disso, mas traz grandes possibilidades de melhorar o código.
  • Possui diversas funcionalidades (nem todas foram exploradas no teste), sendo algumas que mais me chamaram atenção:
  • Injeção de todo o tipo de objetos do Android, além dos componentes de interface, como Activity, Context e Application;
  • Processamento de tarefas assíncronas (AsyncTask);
  • API de logging melhorada;

  • Parece ser uma API madura, além de se basear no Guice que é bastante maduro.

Pontos negativos

  • A documentação da versão atual (2.0) está muito pobre ainda. Documentação completa só para a versão 1.1.
  • Algo que nem é muito relevante é a certa complexidade para conjugar seu uso com o ActionBarSherlock. O problema é que ambos exigem que suas Activity’s estendam suas próprias classes, mas Java não tem herança múltipla para poder herdar de ambas. Mas isto foi fácil de solucionar, pois já existe código pronto para resolver o problema.

Conclusão

Avaliadas as duas opções, decidi por utilizar o RoboGuice em meus futuros projetos. Ele é bastante poderoso e trará grandes vantagens para a qualidade do código e para a produtividade no desenvolvimento. O que eu fiquei mais impressionado com o framework foi a quantidade de recursos úteis que ele dispõe.

Não explorei a fundo tudo o que o RoboGuice poderia me proporcionar, pois exigiria uma refatoração completa de uma aplicação que será jogada fora. Isto não significa que o RoboGuice seja intrusivo no código, mas porque ele reforça boas práticas de programação.

Se você discordou de alguma avaliação minha ou tem alguma coisa a acrescentar, utilize a sessão de comentários logo abaixo para compartilhar comigo!

Veja também:

Resenha: RESTful Web Services Cookbook

Recentemente mudei de emprego e tenho trabalhado num projeto de um web service REST. É um meu primeiro projeto utilizando este estilo arquitetural, mas eu sempre tive muito interesse nele.

Como estava sem nada para ler, resolvi comprar um livro que pudesse me ajudar no meu trabalho além de abordar um assunto que há muito tempo estava querendo me aprofundar: um livro sobre REST.

Foi então que encontrei os livros “RESTful Web Services Cookbook” e “REST in Practice“, ambos com excelentes notas e comentários na Amazon. Decidi começar os estudos pelo primeiro, por sua abordagem mais prática que seria mais útil para ser aplicado num projeto em andamento, e é sobre ele que irei escrever.

Capa do livro "Restful Web Services Cookbook"Estrutura do livro

O RESTful Web Services Cookbook, como o nome diz, é um livro de receitas (“cookbook”) com soluções para problemas comuns no desenvolvimento de web services REST. É um livro ideal para você ter ao lado de sua estação de trabalho para fazer consultas sobre tópicos bastante específicos.

A cada receita, o autor descreve um problema e sua solução de forma sucinta e objetiva. Em seguida, ele discute a razão da solução ter sido escolhida, exemplifica sua implementação e, em muitas vezes, dá alternativas. Sendo assim, o leitor além de ter um guia para aplicação rápida de soluções, também terá a oportunidade de entender profundamente a solução e, assim, reforçar seu conhecimento da tecnologia.

Didática

A didática do autor é excelente, sempre explicando cada tópico de forma bastante clara. Apesar deste ser um típico livro para consultas, a leitura do início ao fim (como estou fazendo) é bastante prazerosa.

Outro ponto muito positivo é que ele não se prende à teoria. Ele explica que existem situações onde a solução mais “RESTful” não é a ideal para o cliente que utiliza o serviço e dá as soluções alternativas, dizendo os prós e os contras de cada uma.

Conclusão

Ainda não terminei o livro (estou no finalzinho), mas já tenho plena capacidade de recomendá-lo para qualquer pessoa que esteja trabalhando com web services REST (independenta da tecnologia utilizada). Este é aquele livro que você irá consultar quando encontrar uma situação um pouco diferente do mundo perfeito da teoria e precisa de uma abordagem mais prática.

Desenvolvimento Android com Maven + ActionBarSherlock 4

Estes últimos dias, estou tentando retomar o projeto do aplicativo da Revista Espírito Livre para Android. A primeira versão que desenvolvi foi bem simples, mas serviu para me dar uma boa visão sobre os rumos da plataforma e me incentivou a estudar bastante. Com isso, vi que dava para melhorar o aplicativo em vários pontos e que a melhor opção seria começar uma nova versão do zero.

Uma das minhas ideias para esta nova versão era começar a utilizar o Maven para gerenciar as dependências do aplicativo. Quem conhece a ferramenta, sabe que ela oferece diversos benefícios como, por exemplo, o build independente de IDE e eliminar a necessidade de versionar os binários das APIs dependentes.

Maven no Android

Comecei a pesquisar e encontrei o android-maven-plugin. Este plugin adiciona ao ciclo de vida do Maven as especificidades da compilação de um projeto Android.

Além disso, existem arquétipos (archetypes) que criam a estrutura de diretórios e arquivos básicos de qualquer projeto Android, além de já incluir no pom.xml o android-maven-plugin configurado com a versão desejada do Android. O arquétipo que mais me interessou foi o “android-release” que, além do projeto principal, cria um projeto de testes e configura o projeto para gerar um pacote para distribuição.

Maven + Android + Eclipse

Com o projeto Maven pronto, já dá para compilar e gerar um pacote da aplicação pela linha de comando. No entanto, apesar do Eclipse (a partir da versão 3.7 “Indigo”) suportar projetos Maven nativamente, ao tentar importar o projeto, ele apresentará um erro.

Assim como Maven precisa de um plugin para lidar com as especificidades da compilação para Android, o Eclipse também precisa. O ADT por si só não consegue lidar com o projeto, pois ele não espera um projeto no formato Maven.

Mas para configurar é muito fácil. Considerando que está utilizando a versão 3.7, você deverá utilizar o plugin m2e-android. Para instalá-lo é bem simples e está explicado em sua página.

Atenção: Não confundir este com o “m2eclipse-android-integration”, que é a versão antiga do m2e-android. Parece bobeira, mas eu bati muito a cabeça com isso!

ActionBarSherlock 4

Superados os problemas do Maven e sua integração com o Eclipse, chegou a hora de incluir no projeto o ActionBarSherlock, componente que já mencionei num post anterior. Como estava desenvolvendo uma versão nova do aplicativo, também decidi atualizar a biblioteca para a versão 4.0. No entanto, ao incluí-la no projeto, tive um erro.

Infelizmente, documentação não é o forte do componente e, depois de bater muito a cabeça, descobri que a versão nova exige que a compilação seja feita para Android 4 (e não para Android 3, como a versão antiga). Sendo assim, você deve configurar seu projeto para o API level 15 e a versão do Android 4.0.1.2.

Além disso, tentei rodar a aplicação num emulador rodando Android 1.6 (versão mínima compatível na versão 3.0) e tive outro erro. Também depois de perder algum tempo, descobri que a versão agora só suportava versões do Android a partir da 2.1.

Conclusão

Apesar destes problemas, vale muito a pena utilizar o Maven nos projetos. Eu bati muito a cabeça, mas espero que este artigo te ajude a evitar estes problemas e que consiga utilizar a ferramenta muito mais tranquilamente.

Uma última dica para quem utiliza o ActionBarSherlock, é utilizar o arquétipo Maven para gerar o projeto e, durante a geração, escolher a API level 15. Você deve tomar cuidado que o padrão é a API level 10, mas você pode negar esta escolha e forçar a versão desejada.

Por fim, torço muito para que o ambiente Maven para Android seja cada vez mais utilizado e fique cada vez mais estável e fácil de usar.

Entrando em forma com Android

Depois de muito tempo sem escrever aqui no blog, tento voltar à ativa com um artigo um tanto quanto diferente: um artigo falando sobre exercício físico! Mas, como todo nerd, até para isto eu preciso da tecnologia junto a mim, neste caso um smartphone Android.

Utilizando o ZTD, uma das minhas metas é voltar ao meu peso ideal. Há muito tempo que estava com sobrepeso e a situação estava piorando lentamente. Após uma passagem pela academia, comecei a correr na rua utilizando um aplicativo móvel para monitorar minhas atividades.

O corredor (ou quase isto)

A dica veio do meu amigo Saulo Andrade, futuro maratonista, que já utilizava há algum tempo o aplicativo RunKeeper. Ao começar a correr, você abre o RunKeeper e ele busca sua localização pelo GPS. Assim que ela for localizada, você marca o início da atividade e ele começa a te monitorar. De tempos em tempos (configurável), ele dá um resumo em áudio de como anda sua atividade. Por isso, eu sempre corro com um fone de ouvido bluetooth, ouvindo boa música (normalmente AC/DC para empolgar mais \o/).

O legal deste aplicativo é que seu site é uma espécie de rede social, onde você pode compartilhar com seus amigos suas atividades e ver as deles. Isto é algo muito bom e recomendado pelo ZTD, pois você torna público entre seu círculo de amigos a evolução de sua meta, aumentando sua dedicação para alcançá-la.

Um pouco de supervisão

No entanto, todo o mundo sabe, fazer exercício físico sem acompanhamento profissional é perigoso. Apesar de estar repetindo o que aprendi no tempo em que fiquei na academia, com o tempo eu passei a ficar um pouco incomodado com a situação de correr por minha conta.

O RunKeeper tem alguns planos de treino criados por especialistas que você pode comprar e ter acompanhamento deles. Estava quase comprando, pois o valor é bastante aceitável e, como eu queria continuar correndo ao ar livre e não voltar para academia, seria mais barato do que contratar um personal trainer.

No entanto, neste meio tempo ouvi o episódio 24 do AndroidCast, onde apresentaram outras opções de aplicativos. Foi então que conheci o Adidas micoach, que, além de monitorar os treinos, também tem planos de treino desenvolvidos por especialistas. O melhor é que é tudo gratuito!

RunKeeper + micoach

Como juntar o melhor dos mundos? O micoach é o aplicativo ideal para utilizar durante as atividades, pois te guia de acordo com o planejamento, mas o RunKeeper é onde estão meus amigos.

Outro grande problema é que o aplicativo da Adidas não te deixa importar os dados de treinos feitos em outros aplicativos, significando que eu perderia todo o meu histórico de corridas. Por sorte, é possível exportar os dados do micoach através do site Running Free e importá-los para o RunKeeper.

Sendo assim, consegui juntar o melhor das duas aplicações: utilizar o aplicativo da Adidas para um treino correto e supervisionado, mas com todos os dados no RunKeeper, onde estão meus amigos e posso continuar publicando a evolução da minha meta de voltar ao meu peso ideal!