I Hack’n Rio: o maior evento de SL do Rio de Janeiro

“Ano novo, vida nova”. 2011 chegou, e com ele uma expectativa a respeito do que irá acontecer de excitante este ano. 2010 foi um ano de descoberta do potencial que as comunidades de Software Livre têm de promover eventos no estado do Rio. Teve a ousadia de levar eventos para Campos e Duque de Caxias (até com a presença do MadDog), tem a frequência semanal do Coding Dojo, a flexibilidade dos OpenSpaces, e as belas novidades da ArduInRio e Android In Rio.

Aproveitando toda essa força e união, a SL-RJ (Comunidade de Software Livre do Rio de Janeiro), em conjunto com as comunidades ArduInRio, Android In Rio, DojoRio, PHP Rio, PythOnRio, Rio.pm, RioJUG, RubyOnRio e Ubuntu-RJ, vem apresentar o I Hack’n Rio! Apesar da palavra “hacker” atualmente estar associada a uma pessoa que explora falhas de segurança em computadores e tenta prejudicar outros, no sentido original da palavra, ela designa alguém que é profundo conhecedor de algum assunto e utiliza maneiras criativas de resolver problemas. Por isso, o Hack’n Rio não é um encontro de usuários malignos de computador, mas sim de profundos estudiosos de computação, mais especificamente software livre, e pessoas que estão buscando este conhecimento.

A idéia do Hack’n Rio surgiu quando os entusiastas de diversas comunidades de Software Livre se encontravam nos eventos promovidos pelo nosso estado, e sempre chegavam a uma mesma conclusão: está na hora de convergir. Convergir todos os eventos específicos de cada comunidade em um só grande evento, falar e fazer sobre tudo que se vê de novidades em cada tecnologia livre adotada em nosso estado.

O grande diferencial deste evento é que ele está sendo feito por todas as comunidades. E isto quer dizer que não há a centralização de tudo numa comissão organizadora só, mas sim a distribuição da organização. Cada comunidade contribuinte terá seu espaço no evento, para utilizar do melhor jeito que a mesma souber fazer.

O nosso objetivo é realizar um evento de elevado grau técnico onde todos os participantes tenham oportunidade de aprender como as tecnologias livres funcionam a fundo e também como contribuir para sua evolução. Por isso, planejamos a seguinte estrutura:

  • Quando? 8 e 9 de abril de 2011
  • Onde? Cidade Universitária da UFRJ, na Ilha do Fundão
  • Quantas palestras? 28
  • Quantos mini-cursos? 8
  • E o que mais? Muita mão na massa com 2 salas abertas para hackfests, como Arduino Hack Day!

Você faz parte de uma das comunidades de software livre do estado? Então você também é parte do Hack’n Rio! Ajude a tornar o evento um sucesso procurando por patrocinadores, buscando por conteúdo relevante e chamando pessoas que fazem as coisas acontecerem – seja construindo coisas novas, seja contribuindo com projetos já existentes. Algumas sugestões:

  • Patrocinadores: empresas que usam software livre e querem contribuir para sua evolução; empresas prestadoras de serviço ou desenvolvedoras de softwares livres que querem encontrar talentos para contratarem (as empresas podem até mesmo fazer uma espécie de “O Aprendiz” e oferecer vagas de empregos, se desejarem) e divulgar seu nome e serviços.
  • Conteúdo: não pense só em palestras e mini-cursos, pois isso temos em qualquer evento. Pense em encontros técnicos para correções de bugs ou desenvolvimento de novas aplicações ou novas funcionalidades para aplicações já existentes.

Palestra: Por que usar software livre? Uma abordagem prática

Está na internet o vídeo e os slides da palestra que fiz no Gnugraf chamada ”Por que usar software livre? Uma abordagem prática”. Nesta apresentação, tentei mostrar de uma maneira bem direta os motivos pelos quais o uso de softwares livres é mais vantajoso. Você pode acessá-la através seção de Palestras aqui do blog e aguardo os comentários de feedback!

Abraço!

O sucesso do Android

Este artigo foi publicado originalmente na Revista Espírito Livre n.18. Clique aqui para baixá-la e ler os demais artigos!

O Android atualmente é um dos sistemas operacionais para dispositivos móveis mais populares que existe. Dessenvolvido pela Google com o apoio de diversas empresas que formaram a Open Handheld Alliance, ele é baseado em Linux e tem seu código-fonte publicado sob uma licença de software livre. Seu sucesso de adoção, tanto por parte dos usuários como das fabricantes, finalmente colocou o Linux na mão de milhões de usuários em mundo todo!

No entanto, não é de hoje que grandes empresas investem na criação de sistemas abertos e baseados em Linux para dispositivos móveis, mas não tiveram um destino tão feliz. Mas então por que com o Android foi diferente? Para tentar entender isto, vamos ver o que aconteceu neste mercado.

Visão geral do mercado

A primeira grande empresa a entrar no mercado de sistemas livres baseados em Linux foi a Nokia que, em 2005, lançou o seu primeiro internet tablet com a plataforma Maemo: o Nokia 770. Depois disso, a finlandesa lançou mais 2 produtos similares até que, em 2009, ela resolveu entrar lançar o primeiro

smartphone da família: o N900. Com este aparelho, foi lançado o Maemo 5, versão esta que seria a última, pois, em 2010, a Nokia se juntaria com a Intel e sua criação, o Moblin, para desenvolver o MeeGo. O motivo da fusão foi que, apesar do peso do nome da Nokia e deste longo histórico, o Maemo nunca realmente “pegou” a não ser entre os usuários mais avançados e interessados em brinquedos tecnológicos.

Nokia 770: primeiro internet tablet com Maemo

Nokia 770: primeiro internet tablet com Maemo

O Moblin foi criado pela Intel para competir no mercado de netbooks equipados com seus processadores Atom. Havia muita expectativa e alguns produtos foram até lançados, mas a Intel não progrediu muito no mercado. Como já foi dito, ela acabou juntando esforços com a Nokia para tentar obter mais resultados.

Foi então que surgiu o MeeGo, um sistema que junta o conhecimento da Nokia em tablets e smartphones com o da Intel em netbooks, se tornando assim a plataforma móvel mais flexível que existe atualmente, com previsão para ser usado até mesmo em carros. Importante falar que a Linux Foundation está apoiando o projeto e, ao que parece, ele é considerado pela fundação a “versão oficial” do Linux para dispositivos móveis. No entanto, até este momento o MeeGo é apenas expectativa e sua primeira versão preparada para usuários finais deverá sair em outubro deste ano.

Interface do MeeGo para netbooks

Interface do MeeGo para netbooks

Outra empresa a investir foi a FIC, que não é tão grande e conhecida, mas que não poderia faltar nesta lista, pois seu projeto foi o mais inovador: o OpenMoko. Criado em 2006, ele tinha o objetivo de criar o primeiro smartphone totalmente livre, tanto hardware quanto software, e lançou dois produtos seguindo esta filosofia: o Neo 1973 e o Neo FreeRunner. O primeiro foi apenas para desenvolvedores, enquanto o segundo objetivava o público geral. No entanto, apesar de toda a liberdade que traria aos fabricantes, nenhuma grande empresa realmente se interessou por ele. De fato, elas inclusive o consideravam “aberto demais” e, com isto, ele foi um fracasso de vendas e de adoção por parte dos fabricantes. Apesar disso, ele tem sido um ótimo playground para os hackers que portaram diversos sistemas para o aparelho, inclusive o próprio Android.

</p>

Neo 1973 com OpenMoko

Neo 1973 com OpenMoko

</span>

Em 2007, um grupo de empresas, incluindo Motorola, Panasonic, Sansung e Vodafone, criaram uma fundação para o desenvolvimento de uma nova plataforma móvel semi-aberta baseada em Linux: a LiMo Foundation. Em pouco tempo, diversas outras empresas se associaram e uma quantidade razoável de aparelhos foram lançados, mas não decolou e atualmente só é conhecida em países orientais, como Japão e Coréia.

Outro caso de insucesso foi o webOS da Palm. Lançado em 2009, foi uma grande promessa de volta por cima da Palm, primeira gigante do mundo da computação móvel, mas que havia esquecido de se atualizar e acabou ficando para trás dos concorrentes. Com uma arquitetura de desenvolvimento de aplicação inovadora, muita gente apostou que o webOS seria “o” sistema operacional livre baseado em Linux dominante. No entanto, as coisas também não caminharam da forma esperada e a Palm foi comprada pela HP em maio deste ano. Ao que parece, a HP vai dar continuidade ao trabalho, já falando na versão 2.0 do webOS, mas ele está longe de virar a plataforma dominante.

Palm Pre com webOS

Palm Pre com webOS

Já o caso do Android foi totalmente diferente. Em 2007 a Google anunciou seus planos de liberar o sistema que havia adquido com a compra da Android Inc. numa licença de software livre e criou a Open Handset Alliance em conjunto com 78 empresas. O primeiro aparelho Android foi lançado em 2008 (o HTC G1), mas a primeira versão do software só foi liberada ao público em 2009. De lá para cá, o número de aparelhos com o sistema cresce assustadoramente e, há pouco tempo, a vendas de smartphones Android haviam ultrapassado os iPhones nos EUA. Atualmente o desenvolvimento dele está muito ativo, a loja virtual cada vez mais populosa e lançamentos com recursos excitantes

Controvérsias do Android

Mesmo com todo o sucesso, o Android está circundado de controvérsias que poderiam ter impedido todo este sucesso. A principal delas surgiu quando o Maemo e o webOS ainda estavam na briga pelo mercado e diziam que o sistema da Google não era “livre o suficiente”. Algo que alimentou muito foi o lançamento do G1 antes da liberação do software. Além disso, a Google continua desenvolvendo a portas fechadas, no final, “despejam” (este é o verbo que eles usam) o código-fonte.

HTC G1

HTC G1

Depois as concorrentes acusaram o Android de não ser tão parecido com uma distribuição Linux como seus próprios sistemas. De fato, o Android roda uma versão do Linux desenvolvida à parte da versão oficial, o que já causou até mesmo alguns atritos entre a Google e os desenvolvedores do sistema do pinguim. No entanto, a Google já tem planos de mudar isto, até mesmo por questões de custo – é caro manter uma versão diferente de qualquer software.

Um pouco mais à frente a Google ainda teve um desentendimento com o CyanogenMod, uma versão comunitária do Android. No final acabou bem, mas houve proibição de distribuição dos aplicativos Google neste pacote, pois estes são de propriedade da empresa.

</p>

CyanogenMod

CyanogenMod

</span>

Por que o Android se tornou um sucesso?

Esta é a dúvida que fica, após analisarmos o hitórico e as controvérsias ao redor do sistema. Seria pela qualidade técnica do produto? Na minha opinião não, pois os concorrentes também eram, em sua maioria, muito competentes. Pela abertura do código e desenvolvimento certamente também não foi, pelos motivos supracitados – se fosse assim, o OpenMoko que deveria ter se tornado um sucesso.

</p>

Neo Freerunner rodando Android

Neo Freerunner rodando Android

</span>

O principal motivo, na minha opinião, foi a Google ter fundado uma aliança com diversas empresas fortes no mercado móvel, fortalecendo o ecossistema do software. Como vimos, a Nokia, a Intel e a Palm tentaram partir sozinhas e esperando que outras empresas se interessassem e se juntassem, mas isto nunca aconteceu. No entanto, a LiMo tentou esta estratégia e foi mal sucedida. Daí vem o segundo motivo: um grande nome.

Ter a Google desde o início como cabeça do desenvolvimento do sistema foi altamente benéfico ao Android, pois é uma empresa respeitada internacionalmente, bem vista pelo público e imparcial no mundo móvel. Esta imparcialidade acredito ter sido também fundamental, até mesmo para a formação da Open Handset Alliance, pois é muito difícil pensar que, por exemplo, a Motorola iria investir num projeto liderado pela Nokia. Além disso, o Google bancou praticamente todo o desenvolvimento dando às fabrincantes um sistema pronto para usar.

Por fim, acho que outro fator determinante foi a escolha da plataforma de desenvolvimento de aplicações: o Java. Esta é uma das linguagens mais utilizadas no mundo e é muito mais fácil de aprender do que C/C++, necessários no devenvolvimento para Maemo e Moblin. No caso do webOS isto é um pouco diferente, pois o desenvolvimento é feito com tecnologias web, bastante difundidas e de fácil assimilação, mas estas tecnologias ainda não estão maduras o suficiente para desenvolver aplicativos complexos.

Conclusão

Como pudemos observar, “a união faz a força”, mas um grande nome faz a diferença. Além disso, escolhas inteligentes acabaram por aniquilar totalmente as chances dos concorrentes. Vamos ver como o mercado vai se comportar com o lançamento do MeeGo, mas, sinceramente, acho que duas empresas sozinhas não vão conseguir competir com um sistema que tem produtos lançados por diversos fabricantes.

E quanto aos sitemas proprietários? Acho muito difícil qualquer plataforma proprietária conseguir competir com uma aberta. O iOS (do iPhone) é exclusivo aos produtos Apple e isto não é interessante para o mercado. A plataforma Windows Mobile é mais aberta à utilização pelos fabricantes, mas, em sua nova versão, está adotando políticas restritivas ao desenvolvimento de aplicações que pode inibir desenvolvedores de aplicativos, assim como está acontecendo com a Apple. A Sansung também lançou o sistema BadaOS que é baseado em Linux, mas é proprietário e não conta com a participação de nenhuma outra empresa – se ele virar um sucesso realmente será uma grande surpresa.

Além disso, existe a questão do custo. Cada vez mais vemos lançamentos de aparelhos chineses de baixíssimo custo, que atendem a uma parcela da população que não tem condições financeiras para comprar um smartphone topo de linha. Apesar de, na maioria das vezes, terem qualidade duvidosa, suas vendas estão aumentando e levantando também a participação do Android no mercado.

</p>

Huawei IDEOS: Android de baixo custo

Huawei IDEOS: Android de baixo custo

</span>

Mais informações:

No ar o site da comunidade do Rio de Janeiro – SL-RJ

O SL-RJ é um grupo criado no início de 2008 com o objetivo de reunir as pessoas interessadas em promover o software livre no estado do Rio de Janeiro. O grupo já organizou vários eventos e se tornou uma forma de ponto de encontro para as demais comunidades relacionadas a software livre do estado. Eu faço parte deste grupo e foi ele que me ajudou a organizar o Flisol 2009 e que organiza o Gnugraf, evento que já comentei em meu último post.

Apesar disso, até hoje o grupo não tinha um site nem nenhum local de fácil acesso para informar sobre os eventos que estão ocorrendo, algo bastante solicitado nos diversos eventos ocorridos. Então é com grande satisfação que os informo sobre a criação do site, que será este local onde todos poderão se manter informados, inclusive por e-mail, sobre as novidades da comunidade fluminense!

Acesse agora em http://softwarelivre-rj.org/!

Participe do III Gnugraf!

O I GNUGRAF nasceu de uma ideia do designer Carlos Eduardo Mattos da Cruz (Cadunico) para divulgar e disseminar a existência de softwares livres de qualidade para profissionais que trabalham com design, vídeo, animação, áudio e áreas afins. Devido o grande sucesso em todo o Brasil, com mais de 400 inscritos na primeira edição e mais de 500 na segunda, o evento se estende mais um ano abrindo sua terceira edição.

Serão apresentadas 16 palestras, com duração de 1 hora cada, e 12 minicursos, com duração de 4 horas cada durante todos os dias do evento. Ministradas por membros atuantes da comunidade de software livre, terão enfoque técnico e objetivo, visando o aprimoramento dos inscritos e o fortalecimento do software livre na cidade e no estado do Rio de Janeiro.

Dentre as novidades deste ano, o evento conta com o lançamento de duas tecnologias 100% brasileiras, uma é o VR Livre Estúdio, que é um módulo multimídia interativo, onde o usuário pode editar fotos, vídeos, som e muito mais numa interface amigável e bem intuitiva e a Lousa Interativa, que é um sistema que transforma qualquer datashow ou monitor em uma lousa digital.

O evento acontecerá nos dias 24/09 a 25/09 na Estação Leopoldina, Avenida Francisco Bicalho, 3, centro, rio de janeiro das 08:00h às 17:00, entrada franca. Maiores detalhes acesse http://gnugraf.org/.